segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Saldo da 11ª Mostra de cinema de Tiradentes

Fui a Mostra pela primeira vez, embora tenha ido nas últimas duas edições da Mostra de Ouro Preto, organizada pela mesma produtora da de Tiradentes. Confesso que saí um pouco decepcionado, mas vários fatores ambientais forçaram a avaliação pra baixo.

Um deles, e talvez o maior, foi o tempo. Choveu muito nos primeiros dois dias, e ficar ensopado o dia inteiro não é algo que faça meu humor ficar especialmente benevolente. Do terceiro dia em diante não houve mais chuva, mas o céu ainda ameaçava com ela o tempo todo. O frio também me pegou desprevenido, muito incomum para Janeiro.

Uma outra grande idéia que eu tive foi ficar hospedado em São João Del Rei, ao invés de Tiradentes, onde qualquer pousadinha cobra os olhos da cara. São João está a apenas 12 Km de distância de Tiradentes, e os ônibus circulares facilitam o trajeto. Facilitariam, eu diria. Os horários da noite, mais escassos, dificultaram e muito a minha vida, tornando uma jornada hercúlea assistir os filmes à noite. Ficar em São João não foi uma boa idéia (e nem vou entrar em detalhes sobre a roupa de cama do meu quarto).

Agora, o problema central aqui foi a oficina que participei. Movido pelo título e ementa muito atrativos (‘Novas tecnologias do cinema’), fiz a inscrição no final de Dezembro e fui selecionado para participar. O que você espera aprender numa oficina assim? Sobre as novas tecnologias do cinema, certo? Não é tão difícil de adivinhar. A ementa ainda falava algo sobre tipos de câmeras mais adequados para tais filmes, onde divulgar, youtube, mídia para celulares, etc. Enfim, um prato cheio.

No primeiro dia o instrutor, um homem certamente experimentado e com muito conhecimento, expôs o plano de estudo daqueles próximos cinco dias: conhecer as novas tecnologias e um pouco da linguagem pertinente a cada uma delas. Excelente! Era tudo o que eu queria, e o fato do instrutor dizer que daria alguns exemplos de vídeo-arte e instalações multimídia a princípio não me incomodou. Nada mais justo, se você introduz uma nova tecnologia no cinema tem que explorar também a capacidade lingüística delas. Perfeito!

Perfeito nada. Ficamos três dias vendo excertos de vídeo-arte, alguns, confesso, muito interessantes. No quarto dia, depois de passar a tarde inteira vendo pedaços de vídeos e filmes, saí, enfezado. Não voltei mais, no dia seguinte adiantei minha passagem e voltei pra BH o mais rápido que pude.

A parte ‘técnica’ da oficina se resumiu em uma conversa de 10 minutos onde o professor falou sobre as diferenças entre as mini-dvs, Dvcam e HDV, algo que qualquer um pode olhar na Wikipedia, porque não foi nada demais.

E aí, tem sempre, lógico, aquela galerinha pedante que adora repetir o que o instrutor acabou de falar com outras palavras, ou, fazer perguntas para as quais eles já sabem a resposta. Eu deveria me lembrar desse povo quando faço inscrição pra esse tipo de coisa. Está certo que no ano passado na Mostra de Ouro Preto valeu a pena, lá pelo segundo dia eu acho que eles já tinham se cansado de falar e a oficina de Produção Executiva correu bem. Mas essa, nossa, como foi difícil. E ainda tinha uma que achava a vídeo-arte o máximo e o cinema convencional um saco, e, olha, foi difícil de agüentar. O que as pessoas têm contra o aprendizado? Sabe? Daqueles que existiam antigamente quando um professor chegava com muito conhecimento e os alunos aprendiam, dialogando com o conhecimento claro, mas mesmo assim, absorvendo. Todo mundo, especialmente nessa área de artes, ficou viciado nessa coisa de discussão. Parece que ninguém precisa saber mais nada da parte técnica, é só sentar em círculo e bater papo. É por isso que alguns vídeos são tão ruins também, porque ninguém sabe mais usar, ninguém está mais disposto a aprender só em escutar o som da própria voz.

Enfim, pelo menos eu vi uns poucos filmes. Longas eu vi Onde andará Dulce Veiga?, que gostei muito e pretendo comentar depois. Além dele vi também Corpo, que achei bacaninha também. Além disso vi seis curta-metragens, e gostaria muito de ter visto Café com Leite, curta que vai para Cannes esse ano, mas não deu. Perdi a Mostrinha também, com os filmes dedicados as crianças, que eu adoro.

Mas uma coisa boa eu vi em Tiradentes: é um evento que consegue mobilizar a população local, você vê filas enormes que não são totalmente formadas por cinéfilos pedantes e chatos, mas também de cinéfilos bacanas e moradores da região. Dava pra ver as famílias que saiam de casa com os filhos para assistirem as sessões, e achei isso demais, um fôlego de esperança para o cinema nacional.

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