Poucos filmes de terror podem ser seguidos da palavra ‘bom’ na mesma frase. E não estou fazendo uma crítica generalista. Tome por exemplo Os Outros. É um filme excelente, mas não sei se considero como um filme de terror excelente. Digo isso baseado num conceito que pode até não ser muito profundo ou teórico, mas que tem funcionado pra mim: filmes de terror tem que dar medo. Parece óbvio, mas nem todo mundo acha. Sendo assim, Os Outros, tem suas principais qualidades apoiadas em questões estéticas (atuação, direção de arte, fotografia) que não são específicas da estética de terror. Mas O Orfanato é radicalmente diferente, mesmo contando uma história que é basicamente o senso-comum dos filmes de terror.
A trama, roteirizada por Sérgio Sánchez, gira em torno de Laura (Belén Rueda), uma mulher que viveu em um orfanato quando criança, e, depois de adulta, resolveu comprar o casarão que abrigava a instituição e criar um lar para crianças deficientes. Quando se muda para lá com o marido (Fernando Cayo), e o filho de 6 anos (Roger Príncep) que é adotado e portador do HIV, coisas estranhas começam a acontecer. Simon, que já possuía o hábito de conversar com amigos imaginários, próprio de crianças solitárias, ganha novos ‘amigos’ no casarão. Preocupada cada vez mais com a situação do filho, Laura vê sua vida virar de cabeça para baixo quando a criança desaparece sem deixar rastros. Agora, ela investigará cada aspecto da casa para solucionar o mistério do desaparecimento de Simon.
Juan Antônio Bayona consegue criar habilmente o que, em minha opinião, é fundamental para um bom filme de terror: atmosfera. A seqüência que mostra uma sessão espírita na casa é de arrepiar o cabelos (e conta com a presença magistral de Senhor Barriga!). O diretor só consegue esse efeito porque se demorou tempo suficiente na ambientação de seus personagens em sua vida cotidiana normal, dando tempo para que o público possa se acostumar e se afeiçoar a eles. Além disso o terror não é uma mera consequência de se usar o dolby surround sound, ou seja, o diretor não pretende assustar o público com estrondos repentinos, coisa que seria assustadora até se estivéssemos assistindo a Noviça Rebelde. Ao contrário, ele prefere incluir alguns sustos em situações altamente dramáticas e até previsíveis, numa demonstração clara de sofisticação e respeito a inteligência do público.
O filme só tem dois problemas: tem um ritmo irregular do meio para o final do segundo ato e o final, que é exageradamente extenso e didático, cortando um pouco do clima da cena anterior, muito mais forte.


3 comentários:
Adoro filmes a esse estilO! Mais esse ainda nao tive a chance de ir ver; ando com problemas de tempo por aqui. CInema não vou a um bom tempO! Mais agora com esses feriados estou vendo de ir e fazer uma "maratona" HGAUSGDYASG
Ah, assim que este chegar nos cinemas eu assisto. A temática é mesmo muito sombria, gosto de filmes deste estilo. Sua cotação foi bastante animadora também. Logo, logo vou conferir.
Abraço!
that's a really beautiful recall Mais agora com esses feriados estou vendo de ir e fazer uma "maratona" HGAUSGDYASG.................................................................
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