sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Apertem os cintos, Sr. Miyagi pode voltar!

Podiam deixar Karatê Kid descansar em paz, mas não. Resolveram perturbar também o sono do Sr. Miyagi. Aparentemente vão refilmar isso. Mas não se preocupe, vai demorar, você ainda vai ter tempo de se preparar espiritualmente pra ver essa nova versão, você sabe, vai pintando umas cercas, quebrando placas de gelo com a mão, essas coisas...
Dica do Omelete.

Deu o Ano!

Já pensou se o filme se chamasse "Os anos que meus pais sairam de férias"? O título deste post poderia ser mais cretino ainda. Pois é, escolheram esse filme para representar o Brasil no Oscar. Realmente acho que tem chances, mas antes precisamos saber como vai ser o páreo. Dependendo, não tem nem vez para o Brasil. Eu me preocupo, por exemplo, com o Ang Lee. No ano retrasado todo mundo jurava que Brokeback Montain iria levar a estatueta. O Ang Lee saiu de mãos abanando, e o Paul Haggis felizão da vida com o sucesso de Crash (e Crash é melhor mesmo, muito embora Brokeback Mountain também seja muito bom). Entretanto, o Ang Lee levou o prêmio de melhor diretor no mesmo ano, e antes disso, uma porrada de indicações quando lançou O Tigre e o Dragão. No mesmo ano (2000) dO Tigre, o filme ficou com a estatueta de Melhor Filme Estrangeiro também.

É, o Ang Lee já tem bastante Oscars. E o que me intriga é eles darem prêmios para melhor diretor num ano, e, no mesmo ano, premiar outro filme como melhor filme. WTF? Como assim? 'Você fez um bom trabalho como diretor, mas o outro filme foi melhor'. Não deveria ser o diretor do outro filme o premiado então? Um filme pode ter uma luz e fotografia bacana e não ser bom. Pode ter um roteiro maravilhoso, e, mesmo assim, ser insuportável de assistir. Inumeráveis variáveis podem interferir preservando a qualidade de uma ou outra característica. Mas é impossível que o diretor seja o melhor e seu filme não acompanhe esse resultado. De qualquer maneira o Ang Lee ganhou outro prêmio esse ano (será que ele não se cansa?). Levou o Leão de Ouro no Festival de Veneza por um filme onde, novamente, todo mundo transa com todo mundo (calma homófobos, dessa vez parece que se trata de um casal hétero).

Mas sei lá, vai que dá né (não me canso desses duplos sentidos). Achei O Ano bonitinho. E tem fundo histórico, coisa que a academia adora, protagonistas crianças também. Espero que dê certo, pelo menos eu vou poder dizer: já apertei a mão de um ganhador do Oscar! (morram de inveja!)

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

90 Minutos Preciosos e Perdidos I - Cama de Gato

Crio essa série na intenção de demonstrar como um ser humano pode perder horas preciosas de sua vida assistindo lixo. Pode ser também, que, quem me lê saiba dos perigos que podem rondar ao espectador de certos filmes, e, desde modo, deixar de assistir uma bela porcaria. Estou falando sério, muito sério. Certos filmes tem a capacidade de nos fazer sentir envelhecendo, literalmente, você se sente morrendo, "eu estou deixando de viver a cada momento que esse filme continua". Portanto, é no mais nobre espírito de solidariedade que escrevo essa série.

O primeiro filme analisado é uma pérola do cinema nacional. Pouquíssima gente assistiu essa joça, graças a Alá. Chamado Cama de Gato, me lembrou na hora do programa infantil que passava na Manchete, lá no paleolítico.
Todo mundo hoje em dia adora fazer filmes sobre adolescentes e sua rebeldia incondicional+ violência + amoralidade + etc + talk-to-the-hand. Não que esses filmes sejam ruins, muito pelo contrário, vide Elefante e Ken Park. Mas francamente, Cama de Gato é o fim da picada! Pra encurtar a história, o filme foi rodado nos moldes do Dogma 95, e eu só queria perguntar ao diretor: Você por acaso já assistiu Italiano Para Principiantes meu filho? As pessoas realmente acham que só porque o filme é Dogma 95 a fotografia tem que parecer com a filmagem do meu celular? Italiano para Principiantes tem uma fotografia maravilhosa, mesmo sem usar recursos de iluminação, lentes especiais e o diabo a quatro, como reza o cânom do Dogma 95. Em Cama de Gato, numa cena ridícula num lixão, o céu atrás dos personagens muda a todo instante. Tsc, tsc, que porqueira hein? Fica claro que filmaram por volta das 5 da manhã, quando o dia já está nascendo, só que ninguém quis repetir cenas não é? 'Pra quê? Num vamos repetir amanhã não! Tá todo mundo cansado, vamos terminar essa merda logo!" Lógico! Sendo assim, é bem interessante ver num plano o céu escurinho no fundo, e no seguinte os primeiros raios de sol, depois em outro, opa, escurinho de novo, e depois, raio de sol. E assim vai.

Sem contar a história né. Francamente. Tá, vou dar um resumo. Três amigos, classe média paulistana, completos idiotas. Estupram uma colega e 'acidentalmente' matam a pobre. No caminho quixotesco de ocultar o corpo acabam matando a mãe de mentirinha do Caio Blat também. Tem problema não, não precisa ficar com dó, depois de uns 5 minutos eles esquecem completamente disso e conversam animadamente sobre outras coisas. A melhor parte, inclusive, é quando os três gênios resolvem desovar os corpos no lixão da cidade e conversam no caminho sobre as imposturas da igreja católica. Com direito a discurso e tudo. Nem parece que são três adolescentes escondendo dois corpos que eles acabaram de matar né?

Calma, ainda fica melhor. Quando estão prestes a se livrar dos dois corpos um intruso aparece. Um minuto de sua atenção. Segundo relatos, o diretor Alexandre Stockler 'pesquisou' as ações que os personagens do filme deveriam tomar, perguntando a jovens na 'balada' e analisando suas respostas (acho que vou tomar um banho depois de escrever essa frase, pra me sentir puro novamente). Agora voltando para o filme: você está desovando o corpo de uma garota que você estuprou e matou, e o corpo da sua mãe, um intruso aparece na escuridão do lixão, o quê você faz? Logicamente que mata o intruso. Cama de gato, sacou? Sacou? Os personagens vão se enrolando, sacou? Sacou?

Isso só serve pra provar que, se essa solução foi elaborada por jovens reais, o filme é um retrato fiel da juventude brasileira. Tanto os jovens ficcionais quantos os reais são imbecis completos!
Além de tudo tem bastante cena de sexo pra chocar, violência, e, claro, temas socias! Os tão queridos temas socias, figurinhas cativas no cinema nacional, e que tem a irritante mania de aparecer dessa forma mesmo, como temas. Sempre na forma de discurso e nunca na forma de ação. Porque, afinal de contas, as pessoas vão ao cinema para ver outras pessoas falarem durante 90 minutos, certo? Nada como pagar 10 reais para assistir uma palestra. A propósito, existe uma caracterização para filmes assim nos EUA, são chamados talking heads, ou, cabeças falantes. O típico filme onde os personagens só falam, falam, falam, e acima de tudo, não deixam nada para você ver, eles explicam tim-tim por tim-tim tudo o que está acontecendo no filme e dentro deles mesmos.

E Cama de Gato, em sua cena final (que vou contar agora mesmo, já que o filme é uma merda total e não quero que ninguém veja, portanto, não considero isso spoiler) mostra exatamente isso: os três personagens principais conversando com Deus ou sei lá o quê, com cabeças flutuantes, sendo eximidos de toda a culpa da história. Sendo mimados. Um final perfeito para uma pérola do cinema nacional. Abaixo, um trecho do filme com uma das músicas usadas na trilha, igualmente horrível por sinal.

Mutum virou filme pai!!

Aparentemente a cidadezinha quente-que-nem-o-inferno onde meu pai nasceu virou filme. O filme chama-se Mutum e é o longa de estréia de Sandra Kogut. Acho que não foi filmado na cidade que leva seu nome mesmo, porque se não, eu com certeza teria notícias disso antes, uma vez que tenho muitos parentes lá. A obra é baseada em Guimarães Rosa, e o Cinema em Cena fez um blog oficial que você pode conferir aqui. Já o site oficial da cidade Mutum de verdade você confere aqui. O filme está sendo elogiado no exterior (inclusive, o debut foi em Cannes), e a estréia oficial aqui é em 31/12. Mas não diga putz! ainda, aqui em BH o longa vai ser exibido no Festival Indie (o mais motherfucker dos festivais aqui da Jaculândia) entre os dias 04 e 11 de Outubro. Tô louco pra ver...

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Eles voltaram!

Quem me conhece sabe o tanto que eu amo Family Guy. E olha que é difícil hein, a série é considerada uma cópia de Simpsons ( e é mesmo), não é mais exibida na Fox, e mesmo assim, quando era exibida era aquela tragédia costumeira da Fox. Metade das exibições era dublada a outra legendada, mudava de horário constantemente, blá, blá, blá. Mas mesmo assim, tenho um motivo muito importante para gostar da série, e é simples: quase me mijo de rir toda vez que assisto. Ok, quase não tem roteiro, ao contrário, tem um bombardeio de referências, críticas politicamente-incorretas e flashbacks (como tem flashback!). Mas não tem jeito, se tentar segurar as risadas só porque não é tão bom não vou conseguir, além disso deve fazer mal pra saúde (assim como prender espirro).
A novidade é que a nova temporada estreiou ontem na TV americana, e trouxe um episódio maiorzinho, parodiando integralmente Star Wars. Olha pro pôster ali em cima e me diz se não dá vontade de imprimir e colocar na parede? Vi essa notícia no Omelete e já fiquei insande(s)cido querendo baixar o episódio. No Omelete, inclusive, tem os links pra ver o episódio picado no youtube, mas se eu fosse você nem corria, porque a uma altura dessas ele já deve ter sido retirado.
A família número 1 das séries animadas voltou também. Simpsons de volta na 19ª temporada. A novidade deles é a nova abertura, lotada de referências ao filme. Muito bacana, confiram.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Meu tipo de religião

Uma banda sueca (na verdade não sei se é sueca mesmo, e estou com muita preguiça de verificar, porque quando você vai digitar esse tipo de palavra em linguas esquisitas como essa você tem que praticamente checar letra por letra. Clica na página que está o nome, clica na página do wikipedia pra verificar, escreve a letrinha, volta pra primeira página pra checar a outra letra e ai...bem, vocês entenderam né?). Anyway, os caras fizeram uma 'remixagem' de vídeo, pegaram uma filmagem de um culto evangélico na Suécia (o culto eu tenho certeza que foi lá), e transformaram num vídeo maravilhoso para sua música. Watch...

Vi isso em algum blog...mas não estou lembrando qual, acho que foi Sedentário & Hiperativo, depois eu olho e ponho o link com os créditos devidos.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Michel Gondry e os comerciais

Enquanto espero pra ver 'Science of Sleep', novo filme do diretor-cult-sensação-do-momento, Michel Gondry, vou me contentando com os comerciais que ele anda fazendo. Desde que estourou, depois de 'Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças' (puta filme bom!), os comerciais que ele fez vem fazendo grande sucesso no yotube. Mas a verdade é que ele começou como um diretor de clipes, muitos deles conhecidos e premiados. Ele também já fez sucesso resolvendo um rubik's cube com os pés, e também com o nariz. Esse comercial da motorola é simplesmente alucinante de legal:

Dica do Brainstorm #9.

Esse outro também é muito bom, comercial da Levi´s:

É claro que o filé, a cereja do bolo, vai demorar mais para estreiar. O próximo filme do diretor frâncês após 'Science of Sleep' é estrelado por ninguém menos do que...rufem os tambores...Jack Black! O nome da criança é 'Be kind, Rewind', e narra a história de um homem (Black), que fica magnetizado(?) e apaga todas as fitas de vídeo da locadora de um amigo. Para não perder a clientela eles resolvem refilmar todos os títulos. Essa promete ser uma das melhores comédias dos últimos tempos, com releituras ultimate toscas dos maiores clássicos do cinema até os blockbusters mais conhecidos. A previsão de estréia por aqui é para 31 de Dezembro.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Música Zen

Como estou ligeiramente deprimido com meu karma informático (eu devo ter sido alguém que em outras vidas tratou muito mal as máquinas, não é possível!), preciso escutar músicas novas e calmas, de preferência. Qual não foi minha surpresa, então, quando me deparei com um post do Meio bit, mostrando uma página com um sisteminha de descobrir novas músicas. Funciona de uma maneira super simples, você só tem que escolher o 'clima' da música (mais agitada, mais calma, etc), marcar o gênero (rock, clássico, jazz, etc) e deixar o programa escolher algumas pra você. E o visual é muito bacana também.


Ah, o link é esse.

Deus 2 x AnyDVD 1


Sim, deu zebra e não faço a menor idéia do porque. Minha vitória de ontem não durou nem 24 horas, meu drive de dvd venceu novamente. Acho que vou contactar a LG e falar muita merda no telefone com alguma atendente que não tem culpa nenhuma. Mas hoje cabeças precisam rolar.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Efeito Chris Crocker

Aparentemente o mancebo conseguiu. Desde o início Chris Crocker queria chamar atenção com a pataquada geral que está virando a vida da Britney Spears, lançou, então, um vídeo onde defende com lágrimas e berros a moral da 'cantora' geme-geme americana.
O vídeo original é este, que não vou colocar aqui porque, francamente, aí já é demais! (Bem, esse não é exatamente o vídeo original, mas em tão pouco tempo foram tantas as versões que dá um trabalho danado procurar o original, e não estou com o menor saco).
As mais engraçadas, entretanto, são as novas versões que estão aparecendo. Impressionante a velocidade com que essas coisas se espalham viu.

A melhor de todas, a versão de Seth Green defendendo Crocker:

Seguido de perto pelo 'pai' do próprio Chris Crocker reclamando da zoeira que seu filho fez:

E, é claro, a própria Britney Spears, com sua tão noticiada nova forma de barril, defendendo o 'tiete' afetado:

Notícias de Lost


Produtor diz que o final de Lost começa a se aproximar

Ah! Claro, 2010 tá aí gente...quase nada. Deixa eu falar um pouquinho das agruras de ser um fã de Lost, vejam se é fácil aguentar. Lost é aquele tipo de série que de vez em quando aparece: genial, pelo menos no roteiro, e que te deixa morrendo de curiosidade pra saber o que vai acontecer em seguida. E aí está precisamente o problema: o 'em seguida' de Lost pode demorar meses! Longos meses.

As próximas três temporadas terão 16 episódios cada, o que significa que durante um ano a gente vai ter 16 semanas de Lost e ...calma, tô calculando...e 36 sem Lost! Que abuso! Eu me pego pensando excentricidades do tipo: 'Ah, o tempo podia passar rápido né? Podia passar um ano logo, rapidinho!'. Não! Não podia, eu vou ficar velho logo pô! Estão vendo? Gostar e acompanhar Lost é isso: quase um pacto com os produtores, 'Me dê a sua juventude e eu te darei entretenimento de qualidade!'(para ser lido com voz fantasmagórica e alongando bastante as vogais finais). Que absurdo! Que abuso! Que tentação em ler spoilers...aliás, outra provação moral que o fã de Lost tem que passar.

AnyDVD ganha de Deus

Meu computador é uma caixa de pandora. Tá certo que eu não tenho uma máquina hiper poderosa, mas mesmo assim dá pro gasto. Melhor dizendo, daria, se algo nele funcionasse corretamente. Comprei no intuito de jogar muito, e ele não roda nem paciência direito. Comprei uma geforce, não alterou em nada o desempenho. E mais recentemente, o drive de dvd travou. E o mais interessante eu nem falei ainda, travou na região 4! Sem problemas certo? Afinal, os discos de dvd no Brasil são da região 4. É, pequenos gafanhotos, a questão é que nem os discos de região 4 estavam rodando. 'Mas como isso é possível Daniel?', o pequeno gafanhoto poderia perguntar. E eu te respondo: Deus existe sim, e não gosta de mim.

Inconformado, arrasado, deprimido e muitos outros adjetivos novelísticos depois, resolvi ir a luta e tentar resolver o problema. Primeiro pensei em desbloquear, não deu certo. Mesmo porque ele estava bloqueado na região certa! Mas só rodava dvds de região 0, e eu já estava um pouco cansado de ver o mesmo dvd do show do Coldplay. Eis que me surge uma luz chamada AnyDVD. Esse programinha divino age como se fosse um cafetão, fazendo com que as travas do windows, dos programas leitores de dvd e o próprio drive, ajam como se fossem pequenas meretrizes assustadas trabalhando pra ele. Work bitch! Ele ignora todas as travas que seu computador possa ter. Recomendo e muito! Esse programinha venceu Deus!

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Prison Break de volta!


Uma das coisas que mais me irrita na vida, e acho melhor começar a compilar uma lista delas logo, são atores de meia-tigela que se acham astros. Sabe por que? Porque eles sempre estragam seus seriados preferidos. Com Lost foi assim, bastou que alguns passassem a dirigir embriagados, que dessem chiliquinhos no set e as demissões começaram. Felizmente os produtores sabem que o seriado dá grana e não cancelaram de vez. Se bem que os chiliquentos de lá são coadjuvantes, fico pensando o que seria de nós se os chiliques fossem do dr. Jack e sua turma.

Já com Michael Scofield a coisa é bem diferente. Descobri recentemente que ele é um pavãozinho cheio de manias. Ninguém no set de filmagens pode falar com o fulano. E ele é o astro da série, fica arquitetando tudo que vai acontecer com genialidade e com aquele ar blasé que só ele sabe fazer. Pô! O Scofield é tão legal, mas com esses chiliques do Wentworth Miller aposto que a série não dura muito. E o pior de tudo é que o coitado nem famoso de verdade é. Ou vai me dizer que alguém se lembra dele pelo seu 'enorme' papel em Underworld?

Anyway, só quis comentar isso pra extravasar minha ansiedade, meu donwload do primeiro episódio da terceira temporada ainda está em 59%...



"O que que foi!? Que que você tá olhando? Hein? Hein? Fala que meus cotovelos são bonitos! Fala que meu cotovelos são bonitos!! Fala!!"

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

O Castelo Animado

Demorou, mas eu assisti. E confesso que gostei muito, assistir essas obras do Miyazaki é praticamente assistir a um quadro, uma pintura. Quando o feiticeiro Howl leva Sophie ao seu esconderijo favorito não pude deixar de pensar em Kurosawa e naquelas planícies maravilhosas de 'Sonhos'. Só acho que é um filme extremamente difícil pra crianças, e, ouso dizer que o público infantil não era o alvo. Aliás, até para os adultos fica difícil definir certas coisas do roteiro, porque estamos bastante acostumados com o esquema dicotômico entre bom x mal, protagonista x antagonista, e, nO Castelo Animado isso desaparece totalmente.

Mas mesmo assim notei um tema muito interessante no filme, a dinâmica interior x exterior. Isso é constantemente explorado, o castelo em si é uma casa ambulante que abriga em segurança seus ocupantes, sem que os que estão de fora saibam exatamente onde ele está situado. O filme demonstra todo o momento a tensão que existe entre o que sentimos e somos por dentro e o que mostramos por fora. Howl é um feiticeiro de grande beleza, mas que se transforma num monstro grotesco por causa de uma maldição. Sophie, que ama Howl, é uma chapeleira que não acredita em sua própria beleza e é transformada em uma senhora de idade, embora retorne à forma juvenil com frequência, quando está descontraída e em harmonia com os locais maravilhosos que Howl a leva. O castelo tem uma porta que abre em diferentes locais, mudando sempre que seu mestre deseja. Além disso, quase todos os personagens aparecem de duas ou mais formas no filme, desde o jovem aprendiz de Howl, que usa uma barba para se disfarçar, até a mãe de Sophie, que finge estar preocupada com sua segurança num momento, para no segundo seguinte se mostrar como uma traidora. Nossos exteriores, o filme parece querer dizer, são tão mutáveis como nossos interiores.

"Mas a Chihiro ainda ganha!"

Cinema die hard

Meu pai sempre diz, até hoje, que o videocassete vai matar o cinema e o dvd seria apenas o último prego do caixão. Nessa última sexta-feira achei que ele provavelmente estaria certo. Quando entrei na locadora para garantir meu final de semana, não pude deixar de ficar extremamente surpreso de ver o cartaz do novo 'Tartarugas Ninjas'. Parece que foi ontem que esse filme estava em cartaz. Eu, que não vi o filme, estava disposto a esperar pelo menos uns seis meses antes de assiti-lo.

Normalmente eu vou ao cinema uma vez por semana (ah, triste vida). Mas sempre dou um jeito de assistir os filmes do momento, os grandes blockbusters ou os filmes que me interessam de uma forma mais particular. Entretanto, não é raro que um ou outro me escape, mais recentemente, por exemplo, perdi Duro de Matar 4.0. A questão é: filmes grandes demoram mais para sair em dvd, mas a média é de 7 ou 8 meses no máximo. Os estúdios maiores sabem que dilatando o tempo entre o lançamento nos cinemas e o de dvd, eles conseguem uma arrecadação maior nas salas de cinema. Os estúdios menores e pequenas distribuidoras já não pensam assim, ainda mais depois do advento do dvd, quando as pessoas realmente passaram a adquirir um filme para ter em casa, algo que não acontecia com tanta frequência com o vhs. Quanto mais rápido eles lançam em dvd mais eles aproveitam a campanha de marketing dos cinemas, quando a imagem do filme ainda está quentinha nos consumidores.

O Pablo Vilaça contou, num curso que fiz com ele, que Sociedade dos Poetas Mortos ficou quase um ano em cartaz aqui em BH (!). E depois demorou séculos para aparecer em vhs. Imagine a arrecadação disso? Mas um outro fator ainda influencia no lançamento relâmpago: tentar inibir a pirataria. Mas o que não dá para entender são as estratégias de filmes como Death Proof, do Tarantino, que chegam em dvd nos EUA antes mesmo de estreiarem aqui na jaculândia. Tem alguém, além do Buda, que goste de esperar tanto tempo assim para assistir um filme? É lógico que ele vai aparecer na versão 'la garantia soy jo' rapidamente. E os estúdios imaginam que lançando dvds mais rapidamente coibirão a pirataria...santa ingenuidade.

Esse post foi motivado pelo blog do Renato Machado

"Vai querer o ingresso pro meu filme ou a pré-venda do dvd de uma vez?"