sexta-feira, 14 de março de 2008

10.000 AC


Olha, eu tentei. Foi mal Roland Emmerich, mas eu tentei. Eu juro que entrei no cinema com o espírito preparado para um filme de ação com efeitos especiais. Nem mais nem menos, não esperava, por exemplo, por uma aguda análise do espírito humano na aurora da civilização. Nada disso. Só queria um bom filme de ação. E o filme realmente é de ação, só que está longe de ser bom.

A história narra as peripécias de D´Leh (Steven Strait) um jovem pertencente a uma tribo (que não sei o nome e, francamente, não vou pesquisar) e que morre de amores por Evolet (Camille Belle), uma outra membro da tribo que tem olhos azuis (?). A tribo espera, enterrados até os joelhos na neve sabe Deus porque, até que os mamutes apareçam e eles possam caçar. O problema é que paralelamente bárbaros tomam o lugar e raptam muitos membros da tribo, entre eles, obviamente, está Evolet. D´Leh fará de tudo para recuperar sua amada, inclusive atravessar todos os tipos de vegetação e solo disponíveis no planeta e lutar exclusivamente com animais já extintos.

O maior incômodo, entretanto, são as soluções deus ex machina em todas as esquinas da história. Aparentemente existiam centenas de profecias na pré-história e todas se encaixavam nos personagens principais desse filme. Os roteiristas (Harald Kloser e Roland Emmerich) usam coincidências e deus ex machina a exaustão, e, por fim, a inteligência do expectador é fatalmente atingida e perdemos e benevolência com o filme. Pra arrematar, o final traz a realização de uma outra profecia, desfazendo um evento grande sem a menor explicação.



quinta-feira, 13 de março de 2008

DVD: Na Captura dos Friedmans


Embora não seja dos maiores fãs de documentários, tinha ouvido muitas críticas positivas desse filme e resolvi conferir. Não me arrependi nem um pouco, como, aliás, costuma acontecer quando eu cedo e vejo documentários. Na Captura dos Friedmans narra a história da destruição de uma família após as acusações de abuso sexual do pai e do filho mais novo.

Assuntos como a pedofilia sempre trazem à tona aquele sentimento de asco e revolta, e filmes que o abordam tendem a ser maltratados pelo público se não assumem a versão mais senso comum da coisa toda. Bem, Na Captura dos Friedmans não assume a posição mais comum, mas também está longe de fazer apologia ao crime. O principal acusado, Arnold Friedman, que na época das filmagens já estava morto, é focado no filme com distância crítica e uma certa ironia. A idéia que ele e seus filhos tinham de que todas as acusações não passavam de uma conspiração diabólica da polícia, é tratada com o devido ceticismo pelo diretor. Mas ainda assim ele não se furta de analisar o caso com rigor e descobre que muitas das acusações eram, se não falsas, altamente duvidosas.

O diretor Andrew Jarecki descortina um aspecto da sociedade ao voltar sua câmera para a família Friedman. E foi totalmente sem esforço que me lembrei imediatamente de Pecados Íntimos. Esse último filme parece encarnar de maneira ficcional o que o documentário de Jarecki encarna de maneira real. A sociedade cria uma histeria em torno de casos como esses justamente porque não quer pensar nos seus próprios ‘pecadinhos íntimos’.

Mas o aspecto mais marcante do filme todo é o relacionamento que a família Friedman estabelece com a imagem. São inúmeros registros filmados pelos filhos dos Friedmans e também por gerações mais antigas. Logo no início, David, o filho mais velho, aparece em um vídeo-diário, onde registra imediatamente que o caráter daquela filmagem era unicamente pessoal, não visava a exibição para outras pessoas. Portanto, a intimidade de uma família sendo exposta dessa maneira parece ser o aspecto mais chocante do documentário. David não desiste de filmar nem nas constantes brigas que a família tinha, está tudo lá, registrado para sempre.

O diretor traça impressionantes considerações a esse respeito. Justamente quando se pensa que o cotidiano filmado de uma família poderia jogar luz sobre uma tragédia de proporções tão grandes, a obra demonstra que o caráter desgastado da imagem hoje em dia é quase nulo. Qual segurança alguém tem sobre sua imagem atualmente? Nenhuma, justamente porque tudo é sobre a imagem e não mais sobre as pessoas. Sobre os Friedmans, poderia se falar qualquer coisa, ou mostrar, mas a tragédia já os tinha engolido de tal maneira que ninguém mais acreditaria em nada, por melhor que fosse.

Quem garante que grandes partes do processo movido pelo estado contra a família não fossem baseados em uma investigação mal feita e incoerente (como o próprio filme parece querer mostrar em alguns momentos)? Mas do que adianta isso? Como bem fala uma das detetives envolvidas no caso, uma vez que alguém é colocado como suspeito de um caso como esse é o fim da sua vida, independente se é culpado ou não. Sua imagem estará eternamente indexada a isso, mesmo que ele não esteja.

A extensa filmagem da família é apenas a demonstração de que a imagem está lá para que esqueçamos do essencial. O próprio David diz em determinado momento do filme que filmou as últimas horas do irmão, antes dele ir para a cadeia cumprir sua pena, porque assim era mais fácil, filmando ele não precisava estar lá de fato, não precisava pensar naquilo. É como a pequena bailarina mostrada no documentário, morta durante a infância, irmã de Arnold Friedman, algo belo mas que foi perdido pra sempre. Só restou sua imagem.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Rapidinhas



Parece que Edward Norton está causando problemas de novo (os estúdios não aprendem nunca?). Baseado na sua extensa lista de chiliquinhos e brigas com diretores e produtores, eu nunca deixaria um ator como ele reescrever o roteiro e produzir um filme. Atores escrevendo roteiros dos próprios filmes?! Todos acabam sendo bons de cama, inteligentíssimos e se dando bem no final, parece até filme do Didi. Mas como se isso não fosse o bastante parece que Norton ainda está dando pitacos sobre o corte final de Hulk. Desagradando tanto a Marvel, quanto a Universal, que teme que o acúmulo de funções vá prejudicar o aparecimento do ator nas promoções do filme. Tsc, tsc vai entender.
Ed Norton and Matvel in “Hulk”-ing Feud



As filmagens de Imaginarium of Dr. Parnassus recomeçaram, após a morte trágica de seu principal astro, Heath Ledger. Segundo nota da produção, divulgada a várias semanas atrás, Heath Ledger será substituído por três atores: Jude Law, Johnny Depp, e Colin Farrell. Aparentemente na história o personagem principal entra em um espelho mágico algumas vezes e sai dele modificado. Aí se justificaria a mudança de atores.
Shooting Restarts on Terry Gilliam's Heath Ledger Movie




Bryan Singer em Superman de novo! Ah, vai fazer outra coisa pô, você não cansou de fazer filme de super-herói não? Vai antes que eu esqueça que você já fez Os Suspeitos e O Aprendiz.
Bryan Singer diz que não saiu de Superman: Man of Steel - e fala mais


segunda-feira, 10 de março de 2008

Righteous Kill Trailer

OK, estou começando a ficar realmente preocupado com minhas finanças esse ano. Acho que vou me lembrar eternamente de 2008 como 'o ano em que entrei em coma no cinema'. Grandes ansiedades e muitas expectativas. Acabei de ver o trailer de Righteous Kill e ele galgou alguns degraus na minha hierarquia de filmes mais esperados. De Niro e Pacino atuando juntos?! Are you freakin' kidding with me!? Tá certo que os dois já participaram do mesmo filme, The Godfather II (Amém!), mas não contracenaram juntos nessa ocasião. E corre à boca pequena que os dois não se dão muito bem. Mas não sei até que ponto isso é verdade. Só sei que mal posso esperar para ver esse filme!

DVD: Invasão de Domicílio


Provavelmente eu sou a única pessoa no mundo que gostou de O Paciente Inglês, mea culpa. Mas peguei esse Invasão de Domicílio na prateleira da locadora esperando por um Anthony Minghella mais ágil, não encontrei. Também, isso seria o mesmo que querer um Roland Emmerich introspectivo. Os filmes do Minghella não me desapontam, eu tampouco acho que sejam obras maravilhosas e perfeitas, mas serve para um dia de chuva. O trailer foi o responsável por condenar o filme um pouco. Tem até umas duas perseguições, mas não espere nada do naipe de um Jason Bourne.

Will Francis (Jude Law) é um arquiteto que, depois de ver seu escritório assaltado diversas vezes, passa a montar guarda na porta do estabelecimento. Entre conversas com uma prostitua feminista, música e café, numa bela noite ele consegue flagrar Miro Simic (Rafi Gavron), um adolescente que se estabelecera como o ladrão ‘fixo’ do escritório de Will. O arquiteto, disposto a acabar de vez com a farra dos ladrões parte em busca do garoto e consegue descobrir onde mora. A partir daí Will se envolverá com a mãe do menino (Juliette Binoche), num caso extraconjugal para fugir das pressões do próprio casamento com Liv (Robin Wright Penn).

O grande problema de Invasão de Domicílio é a profusão de temas. Aparentemente Anthony Minghella quis tratar de todos os assuntos possíveis nesse filme. Desde conflitos raciais, desigualdade social, feminismo e preservação ambiental. Nem preciso dizer que ele só conseguiu lidar com maturidade com uns dois, no máximo. Os outros foram apenas tangenciados, mas talvez, no fim das contas, isso tenha sido bom. Mas o que me incomoda de fato é o final. Will Francis peca pela condescendência com que leva o casamento e vê a si mesmo, e o final do filme parece apenas reiterar esse erro.



quinta-feira, 6 de março de 2008

Mamilos e Rorschach

Você já pode conferir no blog oficial da adaptação de Watchmen, as fantasias dos principais heróis da trama. Faltou o Dr. Manhattan, será que ele vai ficar como na HQ? Peladão? Será que veremos um humanóide gigante em CG com o pingolim azul? Mistérios, mistérios...





Pessoalmente eu gostei muito do resultado, o Coruja Noturna ficou muito bacana. E tem que ser levado em consideração que na HQ o design do uniforme dos personagens é meio galhofa, pelo menos é o que eu penso, já que a própria idéia dos super-heróis é questionada.

Mas o Blog Vulture especulou se veremos mais uma versão de Batman & Robin, já que eles bem ressaltaram nessa foto, os mamilos do Ozymandias aparentes na roupa. Rezo todos os dias para que isso não aconteça, eu confio em Zack Snyder...


Pra quem não sabe Watchmen é uma adaptação de uma famosa Grafic Novel da década de 80, considerada por muitos como 'A' HQ definitiva. O Cidadão Kane dos quadrinhos, eu, recolhido humildemente, tenho que concordar. Watchmen foi escrito por Alan Moore, autor de várias Grafic Novels já adaptadas para o cinema (nem todas com sucesso), dentre elas: Do Inferno, A Liga Extraordinária (ouch!) e V de Vingança.

Rambo IV

Quando é requisitado para levar missionário à Birmânia, Rambo primeiramente se nega, mas, influenciado por uma missionária de rostinho bonito, ele finalmente cede. Mas quando os missionários são raptados por militares, ele sente o peso da responsabilidade e parte para resgatá-los. Stallone repete a ‘façanha’ de Rocky Balboa, atuando, dirigindo, produzindo e escrevendo o roteiro (um autêntico Charles Chaplin!).

A verdade é que Rambo IV é Kill Bill só que sem estilo, sem roteiro, sem boa fotografia, e sem boas atuações também. A semelhança com o filme de Tarantino, no entanto, é o banho de sangue promovido pelo senhor botox. Eu até entendo que Stallone tentou mostrar o horror da guerra em seu filme, mas falhou miseravelmente. Mostrar Rambo atirando em pessoas, cujas cabeças explodem como melancias depois de seus tiros, não é a melhor maneira de acentuar o caráter dramático da guerra. As cenas ficam tão exageradas que tendem para o cômico, daí os planos do diretor vão para o beléleu.

Além do mais, não existe dramaturgia em filmes como esse. No primeiro, lembro-me vagamente, ainda existia. Rambo era um personagem de fato, queria coisas, desejava, etc. Nesse, temos a impressão de que Rambo é só alguém que executa coisas na tela. Não há conflitos muito além de ‘entrar-matar-sair’. Stallone só acerta quando não exagera e superestima seu personagem. Sendo assim, nesse filme não vemos Rambo fazer coisas extraordinariamente grandiosas, como no passado. Ele é simplesmente um vovô da selva, musculoso e que ainda consegue atirar bem com seu arco e com metralhadoras antiaéreas.