quarta-feira, 5 de março de 2008

Anatomia de Saul Bass


O nome de Saul Bass não é desconhecido para um fã de cinema, ele foi o responsável por criar o que se conhece como 'Design de crétidos'. Isso mesmo, uma pessoa que se dedica exclusivamente a planejar como os créditos iniciais (ou finais) de um filme serão exibidos na tela. Bass começou com uma chance dada pelo diretor Otto Preminger, no filme Carmen Jones, a princípio ele faria apenas o pôster do filme. Mas Preminger gostou tanto do resultado que acabou contratando Bass para fazer toda a sequência inicial de créditos do filme. A partir daí Saul Bass brilhou sozinho.

Não vi muitos dos filmes que Bass fez o design de créditos, mas vi alguns que são os mais famosos. A abertura de Cassino, de Scorsese, é muito interessante. A de Vertigo, ou, Um Corpo que Cai aqui na Jaculândia, é outra muito bacana. Agora, a mais famosa de todas provavelmente é a abertura de Anatomy of a Murder de Otto Preminger:


Pensando nisso, alguns fãs, e nerds, resolveram fazer uma brincadeira e mostraram como seria a abertura de Star Wars se fosse desenhada por Saul Bass, confiram:


Saul Bass morreu em 25 de Abriu de 1996, no seu currículo constam mais de 50 aberturas de filmes, design de cartazes, além de filmes de sua autoria. Para conferir a obra de Saul Bass clique aqui.

"My initial thoughts about what a title can do was to set mood and the prime underlying core of the film's story, to express the story in some metaphorical way. I saw the title as a way of conditioning the audience, so that when the film actually began, viewers would already have an emotional resonance with it." - Saul Bass - (Fonte: Wikipedia)

Vi aqui e aqui.

terça-feira, 4 de março de 2008

Jogos do Poder

O congressista Charlie Wilson se interessa pelo conflito armado no Afeganistão durante o início da década de 80. Percebendo-o como uma verdadeira frente de combate ao comunismo, ele (Tom Hanks), Joanne Herring (Julia Roberts) uma socialite texana e Gust Avrakotos (Philip Seymor Hoffman), um agente da CIA, farão de tudo para aumentar os incentivos econômicos dos EUA para o pequeno país.

Jogos do Poder é a crônica de como os Estados Unidos cavaram a própria sepultura com o Oriente médio e Afeganistão. Além de um olhar um tanto quanto cínico sobre a própria guerra, como não poderia deixar de ser. Apesar de lançar um olhar crítico para os dois lados da cortina de ferro, fica bastante claro que a crítica ao comunismo é mais pesada. Na verdade a crítica é mais dirigida aos comunistas russos do que ao comunismo em si.

Também não há como discordar que as atrocidades cometidas pelos soldados russos ao povo afegão tinham que ser impedidas a qualquer custo. Mike Nichols joga com os valores da guerra a todo momento. Sacraliza a guerra no discurso dos personagens para questioná-la com música sacra enquanto os soldados atiram em velhos e crianças pelas cidades. Todos falam em nome de Deus, todos matam em nome de Deus.

O filme só peca do meio para o final, quando resolve assumir uma postura excessivamente moralista. O discurso sobre Deus, praticamente inexistente na primeira metade do filme, começa a ficar cada vez mais presente. E, embora tenha entendido as implicações de se abordar esse assunto, não acho que o cineasta soube aproveitá-lo coerentemente. Ao final, Nichols começa a ser excessivamente didático também, explicando quase explicitamente qual é seu ponto de vista ao expectador.

sábado, 1 de março de 2008

Filmes de Fevereiro


Exatamente a mesma quantidade de filmes do mês passado, 26. Me parece um número razoável já que ano passado eu vi pouquíssimo filmes, infelizmente. Mesmo assim deu pra ver muitos clássicos que há anos eu queria ver. Fico pensando quando vou conseguir igualar minha média da época de colégio, quando o número de filmes anuais superava as três centenas em muito. Bons tempos aqueles...


01. A Marca da Maldade - (O. Welles, 1958) - * * * * *
02. Juno - (J. Reitman, 2007) - * * * *
03. Saneamento Básico - O Filme - * * * * *
04. Videodrome - A Síndrome do Vídeo - (D. Cronenberg, 1983) - * * *
05. Cloverfield - (M. Reaves, 2008) - * * * *
06. Onde os Fracos não tem Vez - (Coen bros.,2007) - * * * *
07. Cubo - (V. Natali, 1997) - *
08. Intriga Internacional - (A. Hitchcock, 1959) - * * * * *
09. Feitiço do Tempo - (H. Ramis, 1993) - * * * *
10. Pecados Íntimos - (T. Field, 2006) - * * * * *
11. O Som do Coração - (K. Sheridan, 2007) - * *
12. Sweeney Todd - O Barbeiro demoníaco da Rua Fleet - (T. Burton, 2007) - * * * *
13. Mandando Bala - (M. Davis, 2007) - * *
14. O Bebê de Rosemary - (R. Polanski, 1968) - * * * *
15. Persona - Quando duas mulheres pecam - (I. Bergman, 1966) - * * * *
16. A Noite Americana - (F. Truffaut, 1973) - * * * * *
17. Cujo - (L. Teague, 1983) - *
18. Respiro - (E. Crialese, 2002) - * * *
19. Fitzcarraldo - (W. Herzog, 1982) - * * * *
20. Sangue Negro - (P.T. Anderson, 2007) - * * * * *
21. Ligeiramente Grávidos - (J. Apatow, 2007) - * * *
22. Piaf - Um Hino ao Amor - (O. Dahan, 2007) - * * * *
23. Os Donos da Noite - (J. Gray, 2007) - * * * *
24. Um Verão para Relembrar - (R. Hardy, 2007) - * *
25. Antes de Partir - (R. Reiner, 2007) - * * *
26. Frenesi - (A. Hithcock, 1972) - * * *

UPDATE: Segundo fui informado Um Verão para Relembrar é na verdade Um Verão Para Toda Vida, Valeu Weiner!


Saldo: Cinema: 7, Dvd: 19, Tv: 0.

Filmes de Janeiro aqui.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Spike Jonze com problemas


Parece que Spike Jonze está cortando um dobrado pra terminar seu último filme. Where the Wilds Thing Are encerrou as filmagens em 2005 e até agora nada. E ontem foi anunciada a data de estréia do longa: 2009. Não, melhor, Outubro de 2009!

Uma sessão de testes já foi realizada e o resultado foi desastroso. Algumas pessoas disseram que as criancinhas sairam chorando cântaros. A maioria das pessoas achou o filme meio dark demais. A Warner, obviamente, ficou puta e desceu das tamancas. Tanto, que na semana anterior a boataria foi grande, segundo alguns jornalistas Spike Jonze teria que refilmar praticamente o filme todo. Pode ser até que o vídeo que vazou duas semanas atrás tivesse algo a ver com isso (atualmente ele está indisponível na maioria dos sites, mas você pode conferir aqui, mas seja rápido!). Jonze já foi à público dizer que não se tratava de um excerto do filme, só uma filmagem de teste. O garotinho em cena nem é Max Records (outro coitado que anda sofrendo na mãos dos executivos que assistiram o filme). Mas pode ser que Jonze e sua equipe tenham vazado o vídeo para criar um buzz e, assim, ganhar credibilidade dos fãs e imprensa. Se foi isso, funcionou.

A Warner desmentiu a notícia de que teria dado ordens para refilmar tudo. Mas de qualquer maneira Spike Jonze não vai sair ileso dessa. Lançar em Outubro de 2009? Mais de três anos depois do término da filmagem? Isso tem nome, chama-se refilmagem. Nenhum filme live-action tem uma pós-produção tão longa assim.

O filme abordará um universo mágico criado por um menino mal-criado que vai para o quarto sem jantar. É baseado na série de livros de mesmo nome, do escritor norte-americano Maurice Sendak, famosíssima nos States. Os monstros que habitam o mundo de fantasia foram criados com a somatória de trajes especiamente desenhados para o filme e animações da face dos monstros. O que eu tenho a dizer? Mal posso esperar. E digo mais, por mim deixavam como está. Deixa o povo decidir se gosta ou não, poxa! Quero a versão que faz criança chorar!

Agora, o que me irrita mais é chamar um cara totalmente indie para fazer um filme infantil, e no final das contas não gostar do resultado. Por que chamaram o Spike Jonze então? Se fosse pra fazer mais um filminho infantil ruim (gênero que já sofre muito) chamassem a Tizuka Yamasaki!


Fonte aqui.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Oscar, o dia seguinte

Diablo Cody acorda com seu Oscar, esses dois devem ter tido uma noite e tanto.

Sangue Negro


Sangue Negro narra a história de Daniel Plainview, um ganancioso prospector que busca a qualquer custo conquistar cada vez mais poços de petróleo. Instalando-se numa pequena cidade com seu filho H.W., Daniel enfrentará a oposição de Eli Sunday, um jovem pastor que tem sua própria definição de ganância. Escrito e dirigido por Paul Thomas Anderson, como todos os seus outros filmes, Sangue Negro é mais uma obra-prima deste genial diretor.

A estruturação dos personagens é perfeita. A relação estabelecida no roteiro, entre Plainview e Sunday é, a primeira vista, de espelhamento. Quando se sentam pela primeira vez à mesa, pais e filhos conversam sobre a venda da propriedade dos Sunday. Nesse diálogo percebe-se claramente que quem controla aquela casa é Eli Sunday, de um lado temos um filho que exerce forte influência sobre o pai e de outro um pai que exerce forte influência sobre o filho. É como se Eli e Plainview fossem reflexos num espelho, um sendo o lado invertido do outro. Muito embora o centro da personalidade de ambos seja o poder e ambição.

No caso de Eli fica claro que sua influência na igreja e na comunidade é o que ele mais preza. E Plainview faz questão de, literalmente, jogá-lo na lama toda vez que pode, apenas para provar que é o mais poderoso da região. Sua conquista de poços de petróleo também não parece ser uma simples questão de dinheiro. Plainview quer o que o dinheiro proporciona, o poder. Só lhe interessa isso: poder, dessa forma, seu desejo de dominação territorial mostra-se praticamente animalesco.

Mas o personagem não é tão plano assim, e Daniel Day-Lewis não poderia representar melhor essas incoerências. Em determinado momento da trama Plainview revela seu desejo de se isolar do mundo, ele demonstra todo seu desprezo pela humanidade. Daniel não é capaz nem de estabelecer um relacionamento normal com outro ser humano. Quando descobre que uma criança está sendo maltratada Plainview dá presentes a ela, e a aborda de uma maneira brusca, assustando a menina. Nem um traço de sensibilidade ao lidar com uma criança.

O problema é que ele não parece tão capaz de se distanciar assim de todos. Tanto é que se conecta muito facilmente com seu recém aparecido irmão. Acredito que a questão de Plainview é que ele quer se relacionar com alguém que seja exatamente como ele, que seja uma espécie de clone seu. Quando seu filho deixa de representar essa possibilidade ele rapidamente aposta todas suas fichas em seu irmão. Um desenho perfeito de alguém que tem a ganância como o epicentro da vida, alguém que não consegue ver nada além de si mesmo no mundo.

Uma outra coisa curiosa que notei no filme foram as referências a 2001: Uma Odisséia o espaço. Tais como os primeiros segundos de tela preta com trilha sonora esquisitíssima, seqüência inicial longa sem diálogos e um dos plano finais do filme. Eu li em algum lugar que essas referências nada acrescentariam no filme, em termos narrativos, seriam apenas ‘homenagens’. Mas eu discordo.

Usando as referências de 2001, PTA traça um paralelo de Plainview com a história do homem narrada no filme de Kubrick. O personagem de Plainview, à medida que enriquece, deixa de ser humano. Ele faz o caminho inverso dos macacos em 2001. A aurora do homem não existe em Sangue Negro, ao contrário, a ganância pelo petróleo faz com que o personagem principal mergulhe cada vez mais na escuridão do desumano. Um dos planos finais o prova. Quando Daniel Day-Lewis, encurvado como um macaco, usa um pino de boliche como arma, num enquadramento similar ao usado em 2001 na famosa cena do osso, ele completa seu ciclo evolutivo inverso. ‘I’m finished’ ele conclui.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008


Tenho uma confissão a fazer: eu adoro as festas do Oscar. Eu sei que a maioria das pessoas diz que o Oscar não significa nada e blábláblá, mas mesmo assim eu gosto. Com algumas ressalvas. Por exemplo, normalmente eu acho os cenários e decorações do palco breguíssimos, os números musicais e as canções escolhidas raramente me agradam também, acho um porre.

Mas eu adoro toda aquela movimentação no tapete vermelho, confesso. E adoro as entrevistas antes do show começar, e também as piadinhas de palco, mea culpa, mea culpa. Só não dá pra aturar Rubens Edwald Filho e Chris Nicklas comentando todo e qualquer figurino. O que eu menos quero saber é das roupas. Ainda bem que na Sky dá pra tirar o áudio em português e ficar só com o inglês mesmo.

Muito embora eu estivesse torcendo por Sangue Negro, ainda assim foi uma boa cerimônia. Adorei os prêmios para Animação e Melhor atriz. O Ultimato Bourne ter papado três prêmios também foi ótimo (eu tinha certeza que aquela edição valia alguma coisa).

Coisa que quase ninguém gostou, mas eu sim, foi o prêmio de melhor efeitos visuais para A Bússola de Ouro. Francamente, Transformers é bacana e grandioso, mas os efeitos dele são todos com um blur imenso que não deixa você ver nada em detalhes nas cenas de ação. Piratas do Caribe só repete as mesmas coisas dos anteriores. Já em A Bússola de Ouro os efeitos visuais estão a serviço de um mundo totalmente novo. E aqueles ursos polares são maravilhosos, você esquece que eles são digitais, isso sim é um bom uso de efeitos visuais. Ainda que o filme seja um pouco aborrecido.

Como eu disse os prêmios musicais sempre são os mais chatos pra mim. Aquelas musiquinhas são todas muito irritantes. Mas confesso que a de Once foi menos pior do que as outras. Acho que encantada sofreu, apesar de ser do estilo favorito do Oscar, por ter três música concorrendo. Desse jeito elas acabam dividindo os votos e nenhuma delas leva o prêmio. Eu odiei O Som do Coração, e a música, apesar do apelo melodramático e de ter uma menina cantando, não valia o prêmio de qualquer maneira. Só foi chato terem interrompido Markéta Irglová em seu discurso de recebimento do prêmio, mas Jon Stewart foi cavalheiro o suficiente para chamá-la ao palco novamente.

Adorei a vitória de Tilda Swinton como melhor atriz coadjuvante, mesmo porque, das concorrentes, eu só tinha assistido a performance dela e da Ruby Dee. E, não sei, não acho que a Ruby Dee merecesse levar o careca pra casa só porque deu um bofetão no Denzel Washington. Tilda é uma atriz completa e muito diferente do padrãozinho Hollywood (ajuda o fato dela ser inglesa).

Também não creio que possa opinar muito no quesito roteiro original, pois, dos cinco indicados só vi três (faltou Lars and the Real Girl e A Família Savage). Mas eu acho o roteiro de Juno um pouco verborrágico, pra dizer a verdade. Mas não sei se nesse grupo ele levaria o meu voto, tenho que ver os outros dois. Mas a princípio eu daria para Ratatuille.

No caso de roteiro adaptado a minha situação é bem pior do que a de roteiro original, pois não vi três dos cinco. Mas claro está que essa era uma disputa exclusiva entre Sangue Negro e Onde os Fracos Não Tem Vez (doravante chamado OFNTV). Se bem que eu ouvi alguém dizer, não me lembro onde, que O Escafandro e a Borboleta teria chances, justamente porque não levaria mais nenhum outro prêmio pra casa. Mas como não assisti não sei. Eu já comentei que não gosto muito do tom pessimista de OFNTV e pensando muuuuito depois eu achei o filme um pouco arrogante. Mas o filme não é mal. O roteiro também não é ruim, quem sou eu para dizer isso. O fato é que eu preferia o roteiro de Sangue Negro, acho a estruturação dos personagens muito melhor, a história em última análise gira em torno dos personagens.

Quanto ao Oscar de melhor direção, por mim ele também ficaria com PTA. E aquela apatia toda dos Coen recebendo o prêmio só ajuda para que eu pense mais assim. Melhor filme eu já disse, meu voto iria para Sangue Negro ao invés de OFNTV.

Fora isso, as piadas do Jon Stewart também foram ok. No início da cerimônia foi mais interessante, mas depois perdeu o ritmo um pouco. Adorei a piadinha sobre os presidenciáveis: ‘Da última vez que a gente viu um presidente negro ou mulher, um asteróide estava vindo em direção a estátua da liberdade’. Agora, o ponto alto da noite pra mim foi de responsabilidade de Seth Rogen, de Ligeiramente Grávidos e Jonah Hill de Superbad!. A disputa entre os dois para ver quem se encaixava mais no perfil de Halle Berry foi hilário.